Estava pensando na minha posição política, e clareou-me certamente o fato de não possuir exatamente uma posição política. Pois juntei todas as boas idéias e nelas é que acredito, mas sua junção resulta na palavra: Liberdade. Essa poderia ser classificada a minha posição política então, liberdade.
Em todos os cantos que olho enxergo essa necessidade de nos libertarmos de todos os padrões. Acredito na igualdade comunista, ou na anarquia, sem governo. Porém, é uma forma lúdica, ilusória de pensar, confesso. O ser humano criou dentro de si um mal envenenado, uma necessidade de mandar ou ser mandado, além de se basear no dinheiro em suas funções.
Li nas palavras de Domingos Oliveira, ator e diretor, que cada pessoa tem uma máquina de desejos, e todos os nossos desejos por mais pequenos que sejam, devem ser atendidos o mais rápido possível, pois senão nossa máquina quebra, e "depois de algum tempo, esse homem não deseja mais nada. E, não desejando, deseja o mal." Ou seja, estamos aqui para servir a nós mesmos, assim, alcançaremos a felicidade. Mas, como alcançar essa felicidade com tantos obstáculos e limitações criadas ou conformadas por nós mesmos dentro desta sociedade vil que sobrevivemos?
Vamos para escola pra quê? Sermos felizes? Não... Lá, eles ensinam tudo ou quase tudo do que não nos dá prazer nenhum. Mas temos que nos moldar lá dentro para entrar em uma universidade e antes disso DEVEMOS saber o que queremos da vida, e nosso querer da vida não basta um "ser feliz", você precisa dizer "ser médico", "ser advogado", "ser gerente daquele banco ciclano". Fora isso, você é um perdedor, um fracassado. Por que? Porque se você fizer, como eu, que quero fazer arte por aí, por exemplo, não ganhará dinheiro. E o que precisamos é isso, dinheiro. Há pessoas que dizem que dinheiro traz, ou é a própria felicidade. Eu vejo o dinheiro como um comedor de felicidade. Imagine o Pac Man, todas aqueles pontinhos que ele come são nossa felicidade, e o dinheiro é o próprio Pac Man. Dá pra entender?
Acham realmente que devemos ser assim escravizados, enjaulados, aprisionados? É assim que vejo e me sinto nesse mundo. Morreremos de fome, ou seremos felizes? Esta é a proposta que o homem criou para a viver.
Não é justo acordar 6hrs da manhã todos os dias, exaustivamente, para trabalhar com algo que detesta, só para ter o que comer. Ligar a televisão e saber que aumentaram o salário dos governantes lá em cima e o seu não, que o preço do arroz e do feijão aumentou, que a tarifa do ônibus que você pega todos os dias pra trabalhar aumentou também, que criaram mais um imposto pra pagarmos no fim do mês. E pra onde vai nosso dinheiro renascido de injúria? Para o bolso de um alguém que nem vai nos beneficiar em nada e sim, dificultar, nos cegar cada vez mais e colocar mais grades diante de nossos olhos.
Mas isso é aceitável, claro! Não mudamos nada disso ainda, então deve ser realmente aceitável.
Eu quero poder conseguir sensibilizar e conscientizar as pessoas de alguma coisa solta no ar. Eu quero pintar, quero desenhar, fotografar, criar. E eu preciso de liberdade. E não vou me vender. Quero remar contra a maré, pois o que nós seguimos a cada dia é um impulso mal colocado, é o caminho que o nosso cabresto mostra.
Vamos seguindo assim, sendo vigiados e manipulados. Não, não!
Ok, alguém pode dizer: Você diz tudo isso pois nunca passou fome.
Não é preciso passar fome para enxergar nossa inferioridade austera. Mas vou parar por aqui com minhas palavras. Um dia conversarei com essas pessoas que passam fome, e saberei o que é este empecilho ainda não bem esclarecido em mim. Apesar de sempre culpar nossa maresia e a "esperteza" de quem nos governa, independente de quem seja.
:Thaís Oliveira.